Será que o seu jeito de lidar com dinheiro esconde um distúrbio financeiro?
- Márcia Fialho Fiuza Lopes

- 2 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 1 de jan.

Você já se perguntou por que, mesmo sabendo o que é certo fazer com o dinheiro, ainda assim acaba repetindo os mesmos erros? Por que algumas pessoas poupam compulsivamente enquanto outras gastam tudo o que têm, mesmo sofrendo com as consequências? A resposta pode estar menos nos números e mais nas emoções ou melhor, nos scripts financeiros que guiam silenciosamente nossas decisões.
O que são scripts financeiros?
Os psicólogos Brad e Ted Klontz cunharam o termo money scripts para se referir a crenças inconscientes sobre dinheiro, formadas geralmente na infância, e que continuam a influenciar nosso comportamento financeiro na vida adulta. São como roteiros ocultos que atuam em segundo plano, baseados em experiências pessoais, culturais ou familiares marcadas por forte carga emocional.
Esses scripts podem incluir ideias como:
Dinheiro é sujo ou corrompe.
Mais dinheiro significa mais felicidade.
Boas pessoas não se importam com dinheiro.
Parece algo distante? Pois saiba que todos nós carregamos nossos próprios roteiros e eles nem sempre são racionais.
Os quatro tipos de scripts mais comuns

O Klontz Money Script Inventory – Revised identifica quatro grandes padrões:
Evitação do dinheiro: Pessoas com esse script acreditam, muitas vezes, que o dinheiro é algo negativo. Podem sentir culpa por ganhar mais do que os outros ou sabotar seu próprio sucesso financeiro. Exemplo: um terapeuta que evita reajustar seus honorários por acreditar que cobrar mais é egoísmo.
Adoração ao dinheiro: Acreditam que o dinheiro resolveria todos os problemas. Se eu ganhasse na loteria, minha vida estaria feita. Esse pensamento alimenta compulsões como compras, jogos e até vício em trabalho.
Status monetário: Relacionam valor pessoal ao patrimônio. Comprar o celular mais caro ou morar em um bairro de status se torna prioridade. Muitas vezes, o acúmulo não é por necessidade, mas por busca de validação.
Vigilância do dinheiro: São atentos, detalhistas, controlados com suas finanças. Esse script está associado a boa saúde financeira, mas em excesso pode gerar ansiedade e dificuldade em desfrutar do que foi conquistado.
Perfis e distúrbios financeiros: quando a dor se veste de comportamento

A psicologia financeira identifica padrões de comportamento que, em níveis extremos, podem se transformar em distúrbios financeiros reações desadaptativas usadas para evitar dores emocionais. Alguns exemplos:
Comprador compulsivo: Usa o ato de comprar para aliviar ansiedade ou tristeza. Sente culpa depois, mas repete o ciclo.
Economizador compulsivo: Poupa excessivamente, mesmo quando tem condições de viver melhor. Acredita que o dinheiro é sinônimo de segurança, mas nunca sente que tem o suficiente.
Negador financeiro: Age como se o dinheiro não existisse. Não olha extratos, evita falar de finanças, ignora dívidas.
Viciado em trabalho: Usa o trabalho como forma de sentir valor e evitar lidar com emoções. Muitas vezes, negligencia a saúde e os relacionamentos.
Infidelidade financeira: Esconde gastos, dívidas ou decisões financeiras do parceiro. O dinheiro vira campo de disputa e controle.
Uma história real (e comum)
Joelma*, 58 anos, psicóloga. Ela não tem dívidas, é procurada, tem lista de espera mas não sabe quanto ganha. Evita cobrar clientes, não reajusta os preços há anos por medo de espantar quem precisa de ajuda. Sua crença é que se importar com dinheiro é sinal de egoísmo.
Esse é um exemplo claro de como crenças inconscientes podem limitar a saúde financeira, mesmo em quem está tudo certo no papel.
Por que isso acontece?
Muitos desses padrões se originam em eventos emocionalmente marcantes da infância os chamados flashpoints financeiros. Pode ser a perda de um emprego dos pais, uma separação traumática, vivência de escassez, abandono, chantagem com dinheiro ou até excesso de proteção financeira. Tudo isso molda nossa percepção do valor, do risco e da segurança.
E dá para mudar?
Sim, dá. Mas não com planilhas e metas frias. O primeiro passo é a consciência: entender de onde vêm suas crenças, validá-las emocionalmente e, aos poucos, reescrevê-las.
A terapia financeira propõe esse mergulho. Não se trata de aprender a gastar menos e poupar mais, mas de descobrir por que isso parece tão difícil. Os autores Brad e Ted Klontz mostram, em suas pesquisas e relatos clínicos, que abordar o lado emocional do dinheiro transforma vidas com mais leveza, liberdade e propósito.
Conclusão
Se você sente que sua relação com o dinheiro é disfuncional seja por excesso, falta, medo, culpa ou negação saiba que você não está só. A maioria das pessoas carrega roteiros antigos e silenciosos. A boa notícia? Eles podem ser editados. E você pode escrever uma nova história financeira, mais consciente, equilibrada e respeitosa com quem você é.
Entre em contato e reescreva sua história com o dinheiro.
*nome fictício



